sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Frank Herbert, o autor da série Duna
Frank Herbert nasceu em 1920 em Tacoma, Washington. Desde cedo soube que queria ser escritor e, em 1939 mentiu sobre a sua idade para conseguir o seu primeiro emprego no jornal Glendale Star.
Houve um hiato temporário em sua carreira de escritor enquanto ele serviu na marinha americana como um fotógrafo durante a Segunda Guerra Mundial. Ele casou-se com Flora Parkinson em 1941, mas se divorciou em 1945 após o nascimento de sua filha.
Depois da guerra, ele foi até a Universidade de Washington onde conheceu Beverly Ann Stuart numa turma de escrita criativa em 1946. Eles eram apenas estudantes numa turma onde ninguém havia vendido qualquer tipo de publicação—Herbert havia vendido duas histórias para revistas e Stuart havia vendido uma história para revista Modern Romance. Eles se casaram em Seattle em 20 de junho de 1946. Seu primeiro filho, Brian Herbert nasceu em 1947. Frank Herbert não se formou em uma faculdade, de acordo com Brian, porque ele só estudava o que lhe interessava e, portanto, não conseguia completar os cursos necessários.
Depois da faculdade, ele retornou ao jornalismo, trabalhando no Seattle Star e no Oregon Statesman. Ele também foi escritor e editor da revista California Living (da San Francisco Examiner) por mais de uma década.
Herbert começou a ler ficção científica nos anos quarenta e, na década de 50 começou a escrevê-la, com pequenas histórias que eram publicadas em Startling Stories e outras revistas. Durante essa década publicou cerca de 20 histórias.
Herbert recusou-se a permitir que a grande banda inglesa de heavy metal IRON MAIDEN utilizasse o nome da sua obra "Duna" num dos seus temas do album "Piece of Mind", pois como americano não lhe agradava boa música, coroando-se assim como "The greatest douche of the universe". A música de Iron Maiden ficou conhecida como "To Tame a Land"
Sua carreira como romancista começou com a publicação de The Dragon in the Sea em 1955, história ambientada num submarino do século 21 como uma forma de explorar sanidade e loucura. O livro previu os conflitos mundiais sobre a produção e o consumo de petróleo. O livro foi um sucesso de crítica, mas não atingiu grande sucesso comercial.
Herbert começou a pesquisar Duna em 1959 e pode dedicar-se em tempo integral a obra porque sua esposa voltou a trabalhar em tempo integral como escritora de propagandas para lojas de departamento. Helbert relatou mais tarde em sua entrevista com Willis E. McNeilly que o romance iniciou-se quando ele supostamente deveria escrever um artigo sobre dunas de areia de Florence, Oregon, mas ele ficou tão envolvido que retornou com muito mais material do que seria necessário para um simples artigo. O artigo nunca foi escrito, mas serviu como base para as idéias que levaram a "Duna".
Depois de seis anos de pesquisa e escrita, Duna foi terminado em 1965. Muito longe do que se esperava de ficção científica na época, ele foi publicado na revista Analog em dois volumes separados, em 1963 e 1965. Ele foi rejeitado por aproximadamente 20 editoras antes de finalmente ser aceito. Um editor profeticamente escreveu "Posso estar cometendo o erro da década, mas...," antes de rejeitar o manuscrito. Mas Chilton, uma editora de pequeno porte na Filadélfia deu a Herbert um adiantamento de U$7500,00 e Duna logo foi um sucesso de crítica. Ele ganhou o prêmio Nebula pelo melhor romance em 1965 e dividiu o prêmio Hugo em 1966. Duna foi o primeiro romance de ficção científica ecológico, contendo uma grande quantidade de temas inter-relacionados e diferentes pontos de vista de seus personagens - uma característica presente em todo o trabalho maduro de Herbert.
O livro não se tornou um bestseller instantâneamente. Em 1968 Herbert ganhara U$2000,00 com suas publicações, muito mais do que os romances de ficção científica da época estavam lucrando, mas não o suficiente para torna-lo um escritor em tempo integral. Entretanto, a publicação de Duna abriu muitas portas. Ele foi um professor de escrita no Seattle Post-Intelligencer de 1969 até 1972 e estudante de uma série de temas interdisciplinares na Universidade de Washington (1970–2). Ele trabalhou no Vietnam e no Paquistão como consultor social e ecológico em 1972. Em 1973 foi diretor de fotografia do programa de televisão The Tillers.
"Um homem é um idiota em não colocar tudo de si, a qualquer momento, no que está criando. Você está fazendo a coisa no papel. Você não está destruindo, está plantando uma semente. Então, não se preocupe com inspiração, ou qualquer coisa como isso. É apenas uma questão de sentar e trabalhar. Eu nunca tive problemas em escrever apenas um parágrafo. Eu já ouvi falar disso. Eu me sentia relutante em escrever em alguns dias, por semanas inteiras, e as vezes até por mais tempo. Eu preferiria muito mais ir pescar, por exemplo, ou apontar alguns lápis, ou ir nadar, ou por que não? Mas, depois, retornando a leitura do que eu havia produzido, eu era incapaz de detectar a diferença do que veio facilmente e do que eu fiz quando me sentei e disse "Bem, agora é hora de escrever e agora eu vou escrever". Não havia diferença entre um papel e outro." - Frank Herbert
Em 1972 ele pode se tornar um escritor em tempo integral e durante os anos 70 e 80, teve um sucesso comercial considerável como escritor. Ele viveu entre os estados do Hawaii e Washington. Em sua época ele escreveu vários livros e abordou temas ecológicos e filosóficos. Ele continuou a saga Duna, continuando com O Messias de Duna, Os Filhos de Duna e O Imperador Deus de Duna. Outros textos foram The Dosadi Experiment, The Godmakers, The White Plague e os livros que escreveu em parceria com Bill Ransom: The Jesus Incident, The Lazarus Effect e The Ascension Factor.
Mas sua ascensão foi marcada por tragédia. Em 1974, Bervely foi operada de cancer, o que deu a ela mais dez anos de vida, mas afetou sua saúde. Ela morreu em 7 de fevereiro de 1984. Em sua dedicatória em As Herdeiras de Duna, Herbert escreveu uma nota para sua esposa.
1984 foi um ano tumultuado na vida de Herbert. No mesmo ano que sua esposa morreu, sua carreira decolou com o lançamento da versão filmada de Duna, por David Lynch. Apesar da grande expectativa, de uma produção com grande orçamento e com um elenco classe A, o filme foi pouco elogiado pela crítica e público nos Estados Unidos. Entretanto, apesar da resposta americana desapontadora, o filme foi um sucesso na Europa e no Japão. No mesmo ano Herbert publicou o quinto livro da saga, Os Hereges de Duna. Finalmente, após a morte de Bervely, Herbet casou-se com Theresa Shackelford depois de um ano.
Em 1986 Herbert publicou As Herdeiras de Duna, que deixou em aberto várias possíveis sequências para a saga. Esse foi o trabalho final de Herbert que morreu de cancer do pancreas em 11 de fevereiro de 1986, na cidade de Madison, Wisconsin com 65 anos.
Continuação da série
Atualmente, Brian Herbert (filho de Herbert) e Kevin J. Anderson iniciaram adições ao universo de Duna, usando notas deixadas para trás pelo próprio Frank Herbert. As notas continham textos de antes dos eventos de Duna e depois de As Herdeiras de Duna. Agora eles estão preparando os dois romances subsequentes, chamados Hunters of Dune (Caçadores de Duna) e Sandworms of Dune (Vermes da Areia de Duna), baseado nos rascunhos de "Duna 7" deixados antes da morte de Herbert.
Idéias e temas
Eu acho que ficção científica ajuda, e aponta em direções muito interessantes. Ela aponta para direções relativas. Dizem que temos imaginação para essas outras oportunidades, essas outras escolhas. Nós tendemos a nos prender às escolhas limitadas. Nós dizemos "Bem, a única resposta é..." ou "Se você apenas..." qualquer coisa que se siga a essas duas afirmações elimina as alternativas aí mesmo. Coloca a visão tão próxima ao chão que você não consegue ver nada mais do que ocorre a sua volta. Humanos tendem a não olhar à longa distância. Agora, somos requisitados, nessas gerações, a ter uma visão mais ampla sobre o que inflingimos ao mundo a nossa volta. Aqui é, eu acho, onde a ficção cientifica está ajudando. Eu não acho que apenas escrevendo um livro como Incrível Mundo Novo ou 1984 evita as coisas ali retratadas de acontecerem. Mas eu acho que elas nos alertam e tornam a possibilidade menos provável. Ela nos torna conscientes de que podemos estar tomando essa direção." - Frank Herbert.
Frank Herbert usou seus romances de ficção científica para explorar idéias complexas envolvendo filosofia, psicologia, política e ecologia, o que despertou o interesse de muitos de seus leitores nessas áreas. Um traço marcante no trabalho de Frank Herbert é a sua fascinação pela questão da sobrevivência humana e sua evolução. Frank Herbert atraiu um conjunto de fãs fanáticos, muitos dos quais lêem todos os trabalhos de Herbert, ficção ou não, e vêem Frank Herbert como uma espécie de guru. Na verdade, foi devido a essa devoção que alguns dos leitores de Herbert foram acusados de tentar criar um culto.
Existe um grande número de temas chave no trabalho de Herbert:
. A preocupação com liderança. Ele explorava especialmente a tendência humana de seguir lider carismáticos de maneira praticamente escrava. Ele lidava profundamente com as fraquezas e potenciais da burocracia e do governo;
. Herbet foi provavelmente o primeiro autor de ficção científica a popularizar as idéias sobre Ecologia e Pensamento Sistêmico. Ele estressou a necessidade dos seres humanos de pensar tanto sistemicamente quanto a longo prazo.
.O relacionamento entre religião, política e poder;
. A sobrevivência humana e evolução: Herbert escreveu os Fremen, os Sardaukar, e o Dosadi, que eram moldados pelas terríveis condições de vida em perigosas super-raças;
. Possibilidades humanas e seu potencial: Herbert trouxe os Mentats, as Bene Gesserit e a Bene Tleilax como diferentes visões das possibilidades humanas;
. A natureza da sanidade e da loucura. Frank Hebert era muito interessado no trabalho de Thomas Szasz e Anti-psiquiatria;
Os possíveis efeitos e consequências da alteração química da consciência, como com a Melange na saga Duna;
. Como as formas de linguagem moldam a forma que a população pensa. Mais especificamente Herbert foi influenciado pela Semântica Geral de Alfred Korzybski;
. Sociobiologia. Como os instintos inconscientemente influenciam o comportamento e a sociedade;
. Aprendizagem, educação e pensamento;
. A influência do subconsciente nas atitudes humanas;
Frank Herbert cuidadosamente esquivou-se de oferecer respostas para seus leitores para muitas das questões que ele explorou, sendo a escrita em multi-camadas sua característica mais marcante.
Status e impacto na ficção científica
Duna é um romance de ficção científica best-seller mundial, o mesmo vale para a saga Duna também best seller na área. Além disso, Duna foi fortemente aclamado pela crítica, ganhando o prêmio Nebula em 1965 e dividindo o prêmio Hugo em 1966. De acordo com Robert A. Heinlein, o épico de Herbert é "poderoso, convincente e muito engenhoso".
Duna também é considerado um marco entre os romances por uma série de razões:
Como o romance de Heinlein, de 1961, Um Estranho numa Terra Estranha, o livro Duna de 1963 representou um movimento para uma abordagem mais literária dos romances de ficção científica. Antes de sua época, dizia-se que tudo o que era necessário para um livro de ficção científica ter sucesso era uma ideia tecnólogica de sucesso. Caracterização e uma boa história ficavam em um distante segundo plano.
Duna é um marco em ficção científica suave. Herbert deliberadamente suprimiu a tecnologia no seu universo, para que pudesse trabalhar o futuro da humanidade, ao invés do futuro da tecnologia da humanidade. Duna considera a forma que os humanos e suas instituiçães evoluíram pelo tempo.
Duna foi o primeiro grande romance de ficção científica ecológico. Frank Herbert foi um grande percursor de idéias científicas; muitos dos fãs dão a Frank Herbert o crédito por introduzir-lhes a filosofia e psicologia. Em Duna ele ajudou a popularizar o tempo ecologia e alguns dos seus principais conceitos, visivelmente expondo o senso de alerta global. Gerald Jones mostra no New York Times Book Review: "Tão completamente o sr. Herbert trabalhou as interaçães do homem, da fera, da geografia e do clima que Duna se tornou um padrão para o novo subgénero de ficção científica 'ecológica'. Enquanto a popularidade de Duna cresce, Herbert embarcou em um tour académico pelos capus das faculdades, explicando como as preocupações ambientais de Duna eram análogas as nossas próprias.
Finalmente, Duna é considerado uma construção de um mundo verdadeiramente épica. O Library Journal reporta que "Duna é para ficção científica o que O Senhor dos Anéis é para fantasia." Frank Herbert imaginou cada faceta de sua criação. Ele amavelmente incluiu glossários, citações, documentos, e histórias, para tornar o seu universo vivo aos olhos de seus leitores. Nenhuma história de ficção científica anteriormente assemelhou-se tanto a realidade.
Herbert escreveu mais de vinte romances após Duna que são avaliados como de qualidade variável. Livros como The Green Brain, The Santaroga Barrier e Hellstrom's Hive aparentemente relembraram os tempos anteriores a Duna, quando uma boa idéia tecnológica era o único elemento necessário para um bom romance de ficção científica.
Herbet nunca igualou a aclamação da crítica que recebeu por Duna. Nem mesmo suas sequências de Duna ou qualquer um de seus outros livros ganhou os prémios Hugo ou Nebula, embora quase todos tenham sido Bestsellers do New York Times. Alguns acharam que Os Filhos de Duna era quase muito literário e muito sombrio para ganhar o reconhecimento que ele tenha recebido, e que The Dosadi Experiment não foi um épico da qualidade que os fãs esperavam.
Para concluir, Malcolm Edwards, na Enciclopédia da Ficção Científica escreveu: "Muito do trabalho de Herbert torna a leitura difícil. Suas idéias genuinamente desenvolveram conceitos, não meramente noções decorativas, mas elas são muitas vezes envolvidas em trechos excessivamente complicados e em prosa articulada que muitas vezes não se igualam ao nível de pensamento... Seus melhores romances, entretanto, são os trabalhos de intelecto especulativo com poucos rivais na [ficção científica] moderna.
Controvérsias
Desde a morte de Frank Herbert, há muita controvérsia entre seus fãs se os novos livros do Duna, escritos por Brian Herbert e Kevin Anderson, devem ou não ser considerados canônicos. Muitos críticos argumentam que os livros subsequentes não tem a qualidade da série original e falham na articulação de ideias complexas sobre a vida humana - principal preocupação de Frank Herbert. Brian Herbert disse que seu pai pediu a ele que escrevesse novos romances de Duna (especialmente a história do Jihad Butleliano).
Depois que Brian soube do estado do seu pai, os dois trabalharam juntos para colaborar em alguns nos últimos trabalhos. Muitas pessoas interpretam isso dizendo que os trabalhos seguem os desejos e intenções de Herbert, enquanto outros discordam, citando discrepâncias aparentes em fatos e temas entre os livros originais e os novos.
Brian Herbert diz que em suas posses, ele tem notas feitas por Frank Herbert de dois outros livros (7 e 8) do universo Duna, sequências de As Herdeiras de Duna intitulados Caçadores de Duna (Hunters of Dune) e Vermes da Areia de Duna(Sandworms of Dune), respectivamente. Alguns fãs mostram-se em dúvida se Brian Herbert realmente tem as notas, citando divergências de sua interpretação da visão de Frank Herbert e alegando que o reaparecimento das notas é muito conveniente. Contra isso, tem se argumentado que Brian é o herdeiro de Frank e que, portanto, todas as notas de Frank necessariamente estariam sob sua posse; além disso, é amplamente conhecido que Frank Herbert trabalhava em vários livros ao mesmo tempo e mantinha diversas notas.
Outra controvérsia é que entre os fãs que viram a Enciclopedia de Duna como a mais canónica (exceto nos pontos onde o próprio Frank Herbert a contradisse) e citam discrepâncias entre ela e os livros de Brian Herbert. Esse é um ponto menor, já que Frank Herbert não a classificou como canônica, e não hesitou em contradizê-la, apesar de tê-la achado "interessante e divertida". Apesar de sua opinião, Brian é o herdeiro das propriedades criativas de Herbert, então, suas adições a Duna são a prima facie para onde a Enciclopédia de Duna está voltada.
Adaptações no cinema
O filme, Duna, foi dirigido por David Lynch em 1984. Embora não tenha agradado nem aos críticos nem ao público, Frank Herbert gostou do filme. O filme também foi adaptado para vídeo e DVD. Duna foi transformado em uma mini-série de TV pelo Sci Fi Channel em 2000. Foi um sucesso comercial e o Sci-Fi Channel continuou a saga com outras mini-séries em 2003, intituladas Filhos de Duna que misturas partes dos livros O Messias de Duna e Os Filhos de Duna.
Jogos inspirados
Dune e Dune II-The Building of a Dinasty (Virgin Entertainement), além de outros, são inspirados nas obras de Frank Herbert. Em Dune, no estilo RPG/Adventure o personagem principal é Paul Atreides recém chegado a Duna. O jogo tem o enredo bastante baseado no livro, desde a chegada de Paul e a conquista da confianca dos fremen, até a derrota do imperador.
Já Dune II segue a linha de estratégia em tempo real (sendo inclusive um dos primeiros do gênero, com versões para PC, Genesis Megadrive, etc), onde se pode escolher dentre três casas: Atreides, Harkonnen e uma terceira nao presente no livro, a casa Ordos. Um Mentat lhe dará instruções e conselhos, e lhe dirá o objetivo da "missão". Construções são erguidas, tropas equipadas, muralhas construídas, veículos comprados a fim de aniquilar o inimigo. Cada casa tem tropas e veículos diferentes, e nas últimas fases, unidades únicas com as características de cada casa (Tropas de Fremen, Sabotadores e misséis a longa distância chamados Mãos-da-Morte).
Bibliografia
Ficção
Romances
The Dragon in the Sea: Revista: Astounding, Novembro de 1955–Janeiro de 1956. Primeira edição: Nova Iorque: Doubleday, 1956. Também intitulada Under Pressure.
Duna: Revista: Analog, Dezembro de 1963–Fevereiro de 1964 (Parte I, como "Dune World"), e Janueiro–Maio de 1965 (Partes II e III, como "The Prophet of Dune").Primeira edição: Filadelphia: Chilton Books, 1965.
The Green Brain: Revista: Amazing, Março de 1965, com o título "Greenslaves." Primeira edição: Nova Iorque: Ace, 1966.
Destination: Void: Revista: Galaxy, Agosto de 1965, como "Do I Wake or Dream?" Primeira edição: Nova Iorque: Berkley, 1966 revisado em 1978.
The Eyes of Heisenberg: Revista: Galaxy, Junho–Agosto de 1966, como "Heisenberg's Eyes." Primeira edição: Nova Iorque: Berkley, 1966.
The Heaven Makers: Revista: Amazing, Abril–Junho 1967. Primeira edição: Nova Iorque: Avon, 1968
The Santaroga Barrier: Revista: Amazing, Outubro de 1967–Fevereiro de 1968. Primeira edição: Nova Iorque: Berkley, 1968
Dune Messiah: Revista: Galaxy, Julho–Novembro de 1969. Primeira edição: Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1970.
Whipping Star: Revista: Worlds of If, Janeiro–Abril de 1970. Primeira edição: Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1970.
Soul Catcher, Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1972.
The Godmakers: Revista: Astounding, Maio de 1958, "You Take the High Road," Astounding, Maio de 1959 "Operation Haystack," e Fantastic, Fevereiro de 1960, "The Priests of Psi." Primeira edição: Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1972.
Hellstrom's Hive: Revista: Galaxy, Novembro de 1972–Março de 1973, "Project 40." Primeira edição: Nova Iorque: Doubleday, 1973.
Os Filhos de Duna: Revista: Analog, Janeiro–Abril 1976, "Os Filhos de Duna". Primeira edição: Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1976.
The Dosadi Experiment: Revista: Galaxy, Maio–Augosto de 1977 "The Dosadi Experiment". Primeira edição: Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1977.
The Jesus Incident (com Bill Ransom): Revista: Analog, Fevereiro de 1979.
Direct Descent: Revista: Astounding, Dezembro de 1954, "Packrat Planet". Primeira edição: Nova Iorque: Ace Books, 1980.
O Imperador Deus de Duna, Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1981.
The White Plague, Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1982.
The Lazarus Effect (com Bill Ransom),Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1983.
Os Hereges de Duna, Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1984.
As Herdeiras de Duna, Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1985.
Man of Two Worlds (com Brian Herbert), Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1986.
The Ascension Factor (com Bill Ransom), Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons, 1988.
[editar] Coleções de ficção curta
The Worlds of Frank Herbert, Nova Iorque: Ace, 1971.
Contém: "The Tactful Saboteur," "By the Book," "Committee of the Whole," "Mating Call," "Escape Felicity," "The GM Effect," "The Featherbedders," "Old Rambling House," e "A-W-F Unlimited."
The Book of Frank Herbert, Nova Iorque: DAW Books, 1973 (rascunho).
Contém: "Seed Stock," "The Nothing," "Rat Race," "Gambling Device," " Looking for Something," "The Gone Dogs," "Passage for Piano," "Encounter in a Lonely Place," "Operation Syndrome," e "Occupation Force."
The Best of Frank Herbert; também publicado como: The Best of Frank Herbert 1952–1964 e The Best of Frank Herbert 1965–1970
Contém: "Looking for something?," "Nightmare Blues," "Dragon in the Sea (resumido)," "Cease Fire," ""Egg and Ashes," "Marie Celeste Move."
"Committee of the Whole," "Dune (resumido)," "By the book," "The Primitives," "The Heaven Makers (resumido)," "Seed Stock."
The Priests of Psi
Contém: "Try to Remember," "Old Rambling House," "Murder Will In," "Mindfield," "The Priests of Psi."
Eye, (Jim Burns, ilustrador), Nova Iorque: Berkley, 1985.
Contém: "Rat Race," "Dragon in the Sea," "Cease Fire," "A Matter of Traces," "Try to Remember," 'The Tactful Saboteur," "The Road to Dune," "By the Book," Seed Stock," Murder Will In," "Passage for Piano," "Death of a City," e "Frogs and Scientists."
[editar] Ficção curta
"Survival of the Cunning", Esquire, Março de 1945.
"Yellow Fire", Alaska Life (Alaska Territorial Magazine), Junho de 1947.
"Looking for Something?", Startling Stories, Abril de 1952.
Operation Syndrome Astounding, Junho de 1954. e em T.E. Dikty's Best Science Fiction Stories and Novels, revista de 1955
"The Gone Dogs", Amazing, Novembro de 1954.
"Packrat Planet", Astounding, Dezembro de 1954.
"Rat Race", Astounding, Julho de 1955.
"Occupation Force", Fantastic, Augosto de 1955.
"The Nothing", Fantastic Universe, Janeiro de 1956.
"Cease Fire", Astounding, Janeiro de 1956.
"Old Rambling House", Galaxy, Abril de 1958.
"You Take the High Road", Astounding, Maio de 1958.
"A Matter of Traces", Fantastic Universe, Novembro de 1958.
"Missing Link", Astounding, Fevereiro de 1959. também em Author's Choice, ed. Harry Harrison, Nova Iorque: Berkley, 1968.
"Operation Haystack" Astounding, Maio de 1959.
"The Priests of Psi", Fantastic, Fevereiro de 1960.
"Egg and Ashes", Worlds of If, Novembro de 1960.
"A-W-F Unlimited", Galaxy, Junho de 1961.
"Try to Remember" Amazing, Outubro de 1961.
"Mating Call", Galaxy, Outubro de 1961.
"Mindfield", Amazing, Março de 1962.
"The Mary Celeste Move", Analog, Outubro de 1964.
"The Tactful Saboteur", Galaxy, Outubro de 1964.
"Greenslaves", Amazing, Março de 1965.
"Committee of the Whole", Galaxy, Abril de 1965.
"The GM Effect", Analog, Junho de 1965.
"Do I Wake or Dream?", Galaxy, Agosto de 1965.
"The Primitives", Galaxy, Abril de 1966.
"Escape Felicity", Analog, Junho de 1966.
"By the Book", Analog, Agosto de 1966.
"The Featherbedders", Analog, Agosto de1967.
"The Mind Bomb", Worlds of If, Outubro de 1969.
"Seed Stock"", Analog, Abril de 1970.
"Murder Will In", The Magazine of Fantasy and Science Fiction, Maio de 1970.
"Project 40", (three installments) Galaxy, Novembro de 1972–Março de 1973. também em Five Fates, Nova Iorque: Doubleday, 1970.
"Encounter in a Lonely Place", The Book of Frank Herbert, Nova Iorque: DAW Books, 1973.
"Gambling Device", The Book of Frank Herbert, Nova Iorque: DAW Books, 1973.
"Passage for Piano", The Book of Frank Herbert, Nova Iorque: DAW Books, 1973.
"The Death of a City", Future City, ed. Roger Elwood. Trident Press: Nova Iorque, 1973.
"Come to the Party" com F.M Busby, Analog, Dezembro de 1978.
"Songs of a Sentient Flute", Analog, Fevereiro de 1979.
"Feathered Pigs", Destinies, Outubro–Dezembro de 1979.
"The Road to Dune", Eye, Nova Iorque: Berkley 1985.
"Frogs and Scientists, Eye, Nova Iorque: Berkley 1985.
[editar] Não ficção
[editar] Livros não ficcionais
New World or No World (editor), Nova Iorque: Ace Books, 1970 (rascunho).
Threshold: The Blue Angels Experience, Nova Iorque: Ballantine, 1973 (rascunho). Acompanhava um documentário do mesmo nome sobre o time de vôo Blue Angels.
Without Me, You're Nothing (com Max Barnard), Nova Iorque: Pocket Books, 1981.
[editar] Introduções e artigos
Introduction to Saving Worlds, com Roger Elwood e Virginia Kidd. Nova Iorque: Doubleday, 1973. Reimpresso por Bantam Books como The Wounded Planet.
"Introduction: Tomorrow's Alternatives?" em Frontiers 1: Tomorrow's Alternatives, ed. Roger Elwood. Nova Iorque: Macmillan, 1973.
Introduction to Tomorrow and Tomorrow and Tomorrow. Heitz, Herbert, Joor McGee. Nova Iorque: Holt, Rinehart and Winston, 1973.
"Listening to the Left Hand", Harper's Magazine, Dezembro de 1973, pp. 92–100.
"Science Fiction and a World Crisis" em Science Fiction: Today and Tomorrow, ed. Reginald Bretnor. Nova Iorque: Harper and Row, 1974.
"Men on Other Planets", The Craft of Science Fiction, ed. Reginald Bretnor. Nova Iorque: Harper and Row, 1976.
"The Sky is Going to Fall", em Seriatim: The Journal of Ecotopia, No. 2, Primavera de 1977, pp. 88–89. (um artigo um pouco diferente apareceu em The San Francisco Examiner coluna "Overview", July 4, 1976.)
"The ConSentiency and How it Got That Way", Galaxy, Maio de 1977 (pode ser considerado uma história de ficcional)
"Dune Genesis", Omni, Julho de 1980.
Artigos de jornal mais importantes
"Flying Saucers: Fact or Farce?", San Francisco Sunday Examiner & Chronicle, caderno people, 20 de Outubro 20 de 1963.
"2068 A.D.", San Francisco Sunday Examiner & Chronicle, sessão California Living, 28 de Julho de 1968.
"We're Losing the Smog War" (part 1). San Francisco Sunday Examiner & Chronicle, sessão California Living, 1 de Dezembro de 1968.
"Lying to Ourselves About Air" (part 2). San Francisco Sunday Examiner & Chronicle, sessão California Living, 8 de Dezembro de 1968.
"You Can Go Home Again." San Francisco Sunday Examiner & Chronicle, sessão California Living, 29 de Março de 1970. (Refere-se a alguma experiências da infância de Herbert no noroeste)
[editar] Outras publicações
[editar] Poesia
"Carthage: Reflections of a Martian", Mars, We Love You, ed. Jane Hipolito and Willis E. McNelly. Nova Iorque: Doubleday, 1971.
[editar] Gravações em Audio
Dune: The Banquet Scene, Nova Iorque: Caedmon Records, 1977.
Sandworms of Dune, Nova Iorque: Caedmon Records, 1978.
[editar] Entrevistas
Entrevistas com Frank Herbert de 1973 até 1977.
A Plowboy entrevista Frank Herbert, The Mother Earth News, Maio de 1981.
[editar] Bibliografia distribuída por universo
Universo de Duna:
Duna
O Messias de Duna
Os Filhos de Duna
O Imperador-Deus de Duna
Os Hereges de Duna
As Herdeiras de Duna
Universo de ConSentiency:
The Tactful Saboteur
Whipping Star
The Dosadi Experiment
Universo de Destination: Void universe:
Destination: Void
The Jesus Incident
The Lazarus Effect
The Ascension Factor
[editar] Livros sobre Frank Herbert e Duna
Frank Herbert, por Timothy O'Reilly Revista: nenhuma Primeira edição: Nova Iorque: Frederick Ungar, 1980. Versão online desse livro não mais impresso
The Dune Encyclopedia, compilado e editado por Dr. Willis E. McNelly, Nova Iorque: Berkley Publishing Group, 1984.
The Maker of Dune, editado por Timothy O'Reilly, Nova Iorque: Berkley Publishing Group, 1987.
Frank Herbert, por William Touponce, Boston: Twayne Publishers, 1988, ISBN 0-8057-7514-5.
Dreamer of Dune : The Biography of Frank Herbert, por Brian Herbert, Nova Iorque: Tor Books, 2003.
Fonte: Wikipédia
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Nelson Rodrigues
"Aos nove anos, na Escola Prudente de Morais, sou considerado gênio por alguns, um tarado em potencial pelas professoras e um maluco pelas alunas. Nessa época, vivo a minha primeira experiência de escritor, ao concorrer a ganhar um prêmio de redação. O Prêmio, dividido com um colega. A história que contei: um adultério - em que o marido mata a mulher a punhaladas. A minha primeira "A vida como ela é." Assim, Nelson Rodrigues narra em suas "´Memórias" (1967) uma situação qie condensa, por um lado, certas obssessões temáticas de sua obvra e, por outro lado, as opiniões controvertidas que cercavam seus escritos e sua personalidade.
Nelson Falcão Rodrigues nasceu a 21 de agosto de 1912 na cidade de Recife, onde viveu até os cinco anos. Em 1917 veio com a familia para Aldeia Campista, no rio de Janeiro. Ao recordar suas primeiras sensações, destaca "o gosto de pitanga e de caju e o cheiro de cavalo, de estábulo. mesmo considerando o mundo um péssimo anfitrião e a viagem a mais burra das experiências humanas, voltei a Pernambuco, na mocidade, retornando à infância e às suas profundas sensações".
Aos treze anos abraça a carreira jornalistica como repórter policial do jornal " manhã", que pertencia a seu pai, Mario Filho. Mais uma vez, o próprio Nelson nos revela o significado dessa experiência: " reportagem policial vai transformar-se para sempre num dos elementos básicos de minha visão de vida. Através dela tive intimidade com a morte (que sempre me apavorou) e nela vi um cadáver pela primeira vez. O jornalismo, daí em diante, passou a ser vital para mim. Tinha, entretanto, intenções literárias - ser romancista, a principal delas. Veio o teatro, porém".
Sua experiência com a morte não se resumiu à carreira como repórter policial. Em 1929, seu irmão Roberto foi assassinado por engano, na redação de "A critica", jornal de linha sensacionalistica, que também pertencia a seu pai. Este morreria de desgosto, ou de "paixão", como dizia Nelson, alguns meses depois. A familia viu-se, de uma hora para outra, condenada à mais extrema pobreza. Nelson foi trabalhar no jornal "O Globo". Pouco depois, ele e o irmão Jofre foram enviados a Campos do Jordão. Ficaram lá quatro anos. Jofre morreu e Nelson retornou ao Rio.
Pressionado pelas dificuldades, resolveu escrever uma chanchada para o teatro, garantia de dinheiro certo. Mas não conseguiu. O resultado foi sua primeira peça, "A mulher sem pecado", estreada em 1941 no Teatro Carlos Gomes. Em seguida veio "Vestido de noiva", encenada em 1943 sob a direção de Ziembinski. Nelson relembra: ´E de repente foi a apoteose, uma coisa incrivel. Todo mundo me chamando de Pirandello. Naquele tempo, todo autor que não fosse um débil mental era pirandelliano".
Na dramaturgia de nelson Rodrigues, a mais importante e renovadora de toda a história do nosso teatro moderno, pode-se observar uma intensa exploração das forças do inconsciente, uma visão desmistificadora e cruel da familia como núcleo de confliutos e desvios, uma revelação dos mitos caracteristicos da sociedade brasileira. Para Sábato magaldi, um de nossos mais conhecidos criticos teatrais, "a personagem rodriguiana abandonou o comportamento convencional para mergulhar nos desvãos do individuo, gritando para o espectador sua intimidade mais onconfessável. Perseguido pela cencura, com oito peças interditadas ao longo de sua carreira, foi acusado tanto de imoral como de reacionário obcecado com estereótipos (dizem que não permitia que sua esposa saisse à rua sozinha).
Seus romances, embora considerados como um aspecto secundário de sua obra, revelam a mesma intensidade no tratamento de situações patéticas e grotescas que sua obra teatral. A origem desses romances está nas crônicas escritas sob o título "A vida como ela é", uma coluna iniciada em 1951, no jornal "Última Hora". Nesses retratos da sociedade carioca, avulta uma das qualidades essenciais do autor: seus diálogos rápidos, flexiveis, diretos e enxutos, capazes de caracterizar, em poucas apalvras, uma situação ou uma peersonagem. Suas crônicas revelam um fabuloso observador da miséria e da fraqueza humanas. Polêmico, provocador, Nelson qualificava-se de "reacionário" e de "uma flor da obssessão", mas ninguém soube captar como ele as neuroses e desventuras do cotidiano de nossa realidade urbana.
Faleceu a 23 de agosto de 1980, no Rio de Janeiro, com uma parada cardiaca.
Nelson Falcão Rodrigues nasceu a 21 de agosto de 1912 na cidade de Recife, onde viveu até os cinco anos. Em 1917 veio com a familia para Aldeia Campista, no rio de Janeiro. Ao recordar suas primeiras sensações, destaca "o gosto de pitanga e de caju e o cheiro de cavalo, de estábulo. mesmo considerando o mundo um péssimo anfitrião e a viagem a mais burra das experiências humanas, voltei a Pernambuco, na mocidade, retornando à infância e às suas profundas sensações".
Aos treze anos abraça a carreira jornalistica como repórter policial do jornal " manhã", que pertencia a seu pai, Mario Filho. Mais uma vez, o próprio Nelson nos revela o significado dessa experiência: " reportagem policial vai transformar-se para sempre num dos elementos básicos de minha visão de vida. Através dela tive intimidade com a morte (que sempre me apavorou) e nela vi um cadáver pela primeira vez. O jornalismo, daí em diante, passou a ser vital para mim. Tinha, entretanto, intenções literárias - ser romancista, a principal delas. Veio o teatro, porém".
Sua experiência com a morte não se resumiu à carreira como repórter policial. Em 1929, seu irmão Roberto foi assassinado por engano, na redação de "A critica", jornal de linha sensacionalistica, que também pertencia a seu pai. Este morreria de desgosto, ou de "paixão", como dizia Nelson, alguns meses depois. A familia viu-se, de uma hora para outra, condenada à mais extrema pobreza. Nelson foi trabalhar no jornal "O Globo". Pouco depois, ele e o irmão Jofre foram enviados a Campos do Jordão. Ficaram lá quatro anos. Jofre morreu e Nelson retornou ao Rio.
Pressionado pelas dificuldades, resolveu escrever uma chanchada para o teatro, garantia de dinheiro certo. Mas não conseguiu. O resultado foi sua primeira peça, "A mulher sem pecado", estreada em 1941 no Teatro Carlos Gomes. Em seguida veio "Vestido de noiva", encenada em 1943 sob a direção de Ziembinski. Nelson relembra: ´E de repente foi a apoteose, uma coisa incrivel. Todo mundo me chamando de Pirandello. Naquele tempo, todo autor que não fosse um débil mental era pirandelliano".
Na dramaturgia de nelson Rodrigues, a mais importante e renovadora de toda a história do nosso teatro moderno, pode-se observar uma intensa exploração das forças do inconsciente, uma visão desmistificadora e cruel da familia como núcleo de confliutos e desvios, uma revelação dos mitos caracteristicos da sociedade brasileira. Para Sábato magaldi, um de nossos mais conhecidos criticos teatrais, "a personagem rodriguiana abandonou o comportamento convencional para mergulhar nos desvãos do individuo, gritando para o espectador sua intimidade mais onconfessável. Perseguido pela cencura, com oito peças interditadas ao longo de sua carreira, foi acusado tanto de imoral como de reacionário obcecado com estereótipos (dizem que não permitia que sua esposa saisse à rua sozinha).
Seus romances, embora considerados como um aspecto secundário de sua obra, revelam a mesma intensidade no tratamento de situações patéticas e grotescas que sua obra teatral. A origem desses romances está nas crônicas escritas sob o título "A vida como ela é", uma coluna iniciada em 1951, no jornal "Última Hora". Nesses retratos da sociedade carioca, avulta uma das qualidades essenciais do autor: seus diálogos rápidos, flexiveis, diretos e enxutos, capazes de caracterizar, em poucas apalvras, uma situação ou uma peersonagem. Suas crônicas revelam um fabuloso observador da miséria e da fraqueza humanas. Polêmico, provocador, Nelson qualificava-se de "reacionário" e de "uma flor da obssessão", mas ninguém soube captar como ele as neuroses e desventuras do cotidiano de nossa realidade urbana.
Faleceu a 23 de agosto de 1980, no Rio de Janeiro, com uma parada cardiaca.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Revista Realidade Outubro/1970 - Salvador Allende
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à venda na Livraria Phylos
Texto de Luis Edgar de Andrade - Fotos de Geraldo guimarães
O rádio acaba de dar o resultado oficial. Salvador Allende, 62 anos, pai de três belas moças e avô de um casal de meninos, está eleito presidente do Chile por uma coligação de partidos de esquerda, encabeçada por socialistas e comunistas. É a primeira vez no mundo que um marxista chega ao poder através de eleições livres. Na sala de visitas de um chalé da Calle Guardia Vieja, o homem gordo, entroncado, de bigodes grisalho, está comovido. Ele sorri:
- A revolução no Chile terá o sabor de pastéis e vinho tinto.
Quem é Salvador Allende?
- Sou tão apenas um homem com todas as fraquezas e debilidades dos outros homens.
Uma vez ele disse, depois de perder três eleições:
- Se eu de novo for derrotado, continuarei lutando. E, se nunca conseguir eleger-me, deverão escrever em meu epitáfio: "Aqui jaz Salvador Allende Gossens, futuro presidente do Chile".
De militar a médico
A vitória de hoje e põe humilde:
- Se eu soube suportar a derrota outrora, porque cumpria uma tarefa, hoje, sem soberba, e sem espirito de vingança, aceito este triunfo, que nada tem de pessoal e que devo à unidade dos partidos populares e às forças sociais que estão comigo.
- O senhor acredita que tomará posse no caso de ser eleito? - perguntou-lhe um jornalista francês, em 1964, quando disputava a presidência com Eduardo Frei.
- Claro que sim - respondeu à queima-roupa.
Desta vez repeliu a insinuação do golpe de Estado, dizendo que "no Chile o Exército é o povo fardado".
Há muitos anos vem preparando o seu esquema militar. Afirma-se em Santiago que o fato de pertencer à Maçonaria, cuja influência no Exército é considerável, contribuiu para sua carreira política. Quando o General Roberto Viaux chefiou o levante do Regimento Tacna, em outubro de 1969, a pretexto de um aumento de soldos, o Senador Allende foi um dos poucos politicos a visitar os militares amotinados. Aliás, dos três candidatos, é o único que fez serviço militar.
Sua babá, ainda viva, Mamãe Rosa, de 82 anos, dá o testemunho.
- Era ummenino danado. Queria ser militar quando crescesse, mas depois se decidiu pela medicina. Os inimigos dizem que, como médico, só assinou atestados de óbito.
- É verdade - ele confirma, bem-humorado -, pois quando me formei, o único emprego que consegui foi um lugar de legista no encrotério, que ninguém queria.
Seu avô, um grande médico, ficou famoso cem anoss atrás, combatendo no Chile uma epidemia de cólera. Nasceu numa familia de médicos. Resultado: em 1926 entrou para a faculdade de medicina. Aluno brilhante. Por sua combatividade, acabou presidente do diretório estudantil da escola e depois vice-presidente da Federação dos Estudantes. Custeava os estudos trabalhando como interno num hospicio. A psiquiatria foi tema de sua tese de doutoramento.
Nos dias agitados que viveu o Chile, durante a única ditadura que teve o país em 160 anos de independência (1926-32), esteve duas vezes encarcerado por ordem do General Ibañez e depois confinado numa cidade do interior.
No começo da carreira, lecionou medicina social na universidade. Os antigos alunos recordam que a aula do Professor Allende era uma espécie de show, aplaudido toda vez que acabava.
Uma carreira paciente
Santiago, 1932. Escoltado por dois policiais, o jovem estudante faz um juramento público e solene diante do caixão mortuário: o de dedicar sua vida à luta social. É Salvador Allende, 24 noas, preso por ter participado de uma manifestação estudantil contra a ditadura. A policia lhe deu uma hora de permissão para ver o cadáver do pai.
O estudante Salvador cumpriu sua palavra. No ano seguinte, foi um dos fundadores do Partido Socialista do Chile e era eleito deputado por Valpariso. De 1937 a 1942 ocupou o Ministério da Saude em um governo de frente popular que chegou ao poder através de uma coligação de partidos muito semelhante à que agora lhe deu a vitória.
Um dia lhe perguntaram qual o melhor lugar do Chile para trabalhar.
- O Palácio de La Moneda, sede do governo - respondeu sem pestanejar.
Foi derrotado sucessivamente por Ibañez, Alessandi e Ferri. Fez esta confissão ao disputar com Frei:
- Faz trinta anos que desejo ser presidente do Chile.
Teve, no entanto, de esperar mais seis. A primeira candidatura, em 1952, foi simbolica. "Un saludo a la bandera", como hoje acha. Chegou em último lugar, com 52000 votos (5,5% do eleitorado). A diferença de votos para o ex-ditador Ibañez: 400 000. Em 1958 perdeu por um triz. Teve 356 000 votos (28,9%) e Jorge Alessandri ganhou com apenas 36 000 à sua frente. Na terceira vez, em 1964, recebeu 975 000 votos, perdendo para Frei por quase 400 000. Finalmente, este ano livrou-se da sina de eterno perdedor. Mas, como não conseguiu ainda maioria absoluta, a Constituição chilena manda que sua vitoria seja referendada pelo Congresso.
- Como vê as eleições do ano 2000?
- Sem minha candidatura ....provavelmente.
Os idolos na parede
O relógio Rolex, que usa no pulso, pertenceu a Fidel Castro. É o resultado de uma troca, em que saiu perdendo. No ano passado Salvador Allende fez uma viagem aos paises comunistas do Terceiro Mundo: Cuba, Coréia do Norte e Vietnam do Norte. Na escla em Havana tinha um relógio com pulseira de ouro, despertador. Fidel viu e ficou encantado.
- Um despertador de pulso! Não diga! Como é que desperta, Salvador? Allende explicou o funcionamento do relógio.
- Vamos trocar? - Fidel propôs na hora - Fou-lhe o meu Rolex, ele vale amis.
- Não vale, Fidel. O meu é de ouro. O seu, de aço.
Mas tanto o primeiro-ministro de Cuba insistiu, que o senador chileno aceitou a troca. No dia seguinte Raul Castro, irmão de Fidel, queixou-se:
- Salvador, para que é que você foi dar aquele relógio ao Fidel? Ontem ele passou a reunião do gabiente a brincar com o despertador de pulso. De instante a instante, a campainha tocava. Ninguém pode trabalhar.
Segue.....na revista
domingo, 22 de junho de 2008
Adolf Hiltler revelado pelos arquivos americanos (materia de 02/02/1950)
(A matéria abaixo surgiu na revista "O Cruzeiro", de 02/02/1950. Trata-se, portanto, de uma raridade)ADOLF HITLER REVELADO PELOS ARQUIVOS AMERICANOS
Nascido de uma iniciativa americana, conservado durante vários anos nos arquivos do Departamento de Estado e nos relatórios pessoais do Presidente Truman, o documento aqui publicado foi considerado confidencial. Mas pertence à história. Descreve o homem que foi um dos maiores enigmas da nossa era, bem como um dos maiores flagelos do mundo: Adolf Hitler.
As autoridades norte-americanas em Nuremberg tiveram a idéia de ouvir um certo número de pessoas, de diversas profissões, que tivessem conhecido intimamente. Cada qual recebeu um questionário apropriado a seu papel e sua especialidade na vida do Führer. Por exemplo, os generais falaram de Hitler, o chefe do exército; os médicos falaram de suas características físicas e mentais; os íntimos referiram-se aos seus hábitos, suas amizades, suas aversões, etc.
O resultado desses depoimentos constituem provavelmente o retrato mais fiel e mais intimo jamais feito sobre Adolf Hitler.
HITLER E SEU CORPO
PRIMEIRA TESTEMUNHA – (Dr. Erwin Gieseng – otorrinolaringologista) – De 22 de julho a 7 de outubro de 1944, e em fevereiro de 1945, examinei e tratei Hitler cincoenta e cinco vezes.
Fisicamente é fácil descrevê-lo. Altura: 1 metro e 74 ou 75, musculatura mediana dos braços, das pernas e do abdômen, e não fazia nenhum exercício físico. Seu tórax um pouco pára dentro e sua respiração ofegante demonstravam uma mistura de astenia e leptossonia, a não ser que fosse devido ao esgotamento físico e moral. A camada de banha era normal; talvez um pouco mais grossa na barriga. Tinha o sistema piloso pouco desenvolvido, ao contrário da barba que era muito abundante. Nas axilas e no púbis, pilosidade normal. A pele do corpo, principalmente à luz artificial, era de uma palidez extraordinária. Nenhum defeito físico como alguns pretenderam, que Hitler tinha feito uma operação no lábio superior (diziam mesmo que tinha deixado crescer o bigode para esconder a cicatriz que esta operação tinha deixado). Nenhum aparelho dentário visível. Mas um grande numero de coroas e de dentes chumbados assim como um grande “bridge” de ouro na maxila inferior direita. Não tinha varizes nem pé chato. Órgãos totalmente normais, no lado posterior da coxa, veias ligeiramente aparentes. A hipertrofia do braço e do ombro direitos, da qual freqüentemente falavam, não existia ou então não era bastante pronunciada para que eu a notasse. A resistência física de Hitler, tendo o braço estendido horas a fio durante as manifestações do partido, é surpreendente.
Não tinha marca de vacinas no braço, mas sobre o corpo, várias cicatrizes:
1. bem no alto no lado anterior da coxa esquerda, uma profunda cicatriz, oval, antiga, incolor, resultado de um ferimento recebido em 1917;
2. na curva da perna direita, um pouco abaixo do meio do bordo superior da rótula, uma cicatriz incolor com um por dois centímetros, proveniente de uma explosão (bomba de 20 de julho de 1944);
3. no dorso da mão direita, uma cicatriz superficial, redonda, do tamanho de uma ervilha;
na orelha direita uma cicatriz bem visível, no tímpano;
4. na orelha esquerda, sob o martelo, uma cicatriz com 2 milimetros de comprimento;
5. na boca, no meio do céu da boca, uma cicatriz com 1 centimentro de comprimento, destacando-se na mucosa vermelha.
6. Sobre a mão esquerda, tinha um higroma (pequena excrescência causada pela inflamação das bolsas serosas). Seus dedos eram bastante longos e fortes. A extremidade ligeiramente cônica. Unhas curtas e chatas Lúnula bem visível em todos os dedos.
É certo que Morell lhe deu, três ou quatro vezes por semana, durante vários anos, injeções de açúcar de uva. O que não é certo é que Morell lhe tenha aplicado injeções de hormônio para apagar nele estigmas femininos. Não descobri em Hitler nenhum estigma feminino. E seu andar nada tinha de feminino ou de afetado. Ele próprio falou-me de um defeito na visão do olho direito. De acordo com o seu oculista, tratava-se de um começo de catarata. Ignoro se era de origem sifilítica. Em todo caso não tinha o mínimo sintoma de sífilis congênita. Hitler usava óculos para ver de perto. Vidro direito: 2,5 dioptrias; vidro esquerdo: 2 dioptrias. Todos os textos que lhe eram destinados deviam ser batidos por uma máquina especial que tinha os tipos particularmente grossos. Pulmões e coração normais; 72 pulsações por minuto. Pulso sonoro, regular, medianamente forte. Nada de anormal no circuito arterial. O nariz apresentava na narina esquerda um desvio: a cartilagem que o divide era deformada em direção à direita. A trompa esquerda estava nitidamente hipertrofiada no centro, com um começo de formação de pólipos.
A barriga era elástica e cedia facilmente a qualquer pressão. Nenhuma hipertrofia do baço e do fígado. A região da bexiga e a dos rins, livre. Nenhum traço de apendicetomia; nenhuma tendência para a hérnia.
120 COMPRIMIDOS POR SEMANA
Os dois exames neurológicos que fiz, em 26 de agosto e em 2 de outubro de 1944, não me permitiram (não mais que o exame radiográfico do crânio efetuado em 15 de setembro de 1944), revelar em Hitler lesões orgânicas do cérebro ou da medula espinhal. Em fevereiro de 1945, constatei um tremor em sua mão esquerda. Era uma espécie de paralisia agitada, nervosa, histérica. Nesta época o esgotamento intelectual e corporal de Hitler eram extraordinários. Da primavera de 1942 ao outono de 1944, sempre foi estimulado pela absorção freqüente de pílulas antigas contendo extrato de noz-vômica (estriquinina) e beladona na proporção de 0,04, o que o levou em setembro de 1944, a uma intoxicação com lesão do fígado e um derrame biliar que o deixou de cama durante um mês.
Sob o ponto de vista de sua constituição, Hitler era um sangüineo, com sintomas coléricos. Mas seu domínio sobre si era tão forte, que chegava freqüentemente, diante de estranhos, a dar a impressão de um homem de temperamento normal. /era um psicopata que não se podia convencer, mesmo quando os fatos falavam indiscutivelmente contra ele. Mas nunca fui testemunha de verdadeiros acessos de cólera ou de reações histéricas acompanhadas por atos excessivos tais como se jogar no chão, ou morder o tapete, etc.
Esta psicopatia constitucional e a convicção que tinha de saber e fazer tudo melhor que ninguém deram nascimento a um estado neurótico grave. Daí a importância que dava a observação do seu corpo, a atividade do seu estômago e seus intestinos, mania que tinha de sempre pensar na morte, a mania de soporíferos, de comprimidos, de injeções. No entanto Hitler não era um toxicômano.
Hitler não fumava nem bebia.
Tornou-se vegetariano a partir de 1933. Antes, comia muita carne, particularmente carne de porco bem gorda., da qual muito gostava.
É verdade que Hitler, para certas coisas, mostrava-se muito pouco exigente. Suas roupas, sua comida e seus hábitos pessoais eram simples. Mas por outro lado, gostava de construções luxuosas. Ficava contente por te um trem especial.
Seu conhecimento dos homens era medíocre. As pessoas que o cercavam estavam geralmente abaixo da média e precisamente nelas Hitler tinha mais confiança. Sua atitude amigável para alguns chefes dóceis mas incapazes (Keitel, Goering), e hostil para alguns chefes rígidos mas competnetes (Halder, Braushitsch, Rundstedt) é inexplicável. Como psicopata praticava os dois extremos: amabilidade excessiva para alguns membros; frieza total para outros dos seus colaboradores.
Como eu lhe disse uma vez: “Era o único chefe de Estado do mundo que tomou de 120 a 150 comprimidos por semana e recebeu de 6 a 10 injeções por semana!”
Não sei se Hitler tinha um sósia. Em todo caso nunca ouvi falar dele.
SEGUNDA TESTEMUNHA: (O Conde Von Schwerin, general das Forças Blindadas) – Alemão do Sul, tendo passado todos os anos de sua formação na Áustria ou na Baviera, Hitler era por natureza um estrangeiro aos alemães do Norte. Tinha tomado por modelo Frederico, o grande, e reconhecia a grandeza da obra realizada pela Alemanha do Norte sob a direção de Bismarck. Mas duvido que se tenha profundamente enraizado no modo de pensar e de sentir dos alemães do Norte.
Isto se traduzia nos domínios militares, por uma oposição íntima com a maior parte dos grandes chefes tais como: Fritsch, Branschitsch, Kleist, Bock, Manstein, Kluge, etc...
Hitler não tinha com eles nenhum contato profundo, ainda mais que a diferença de origem social era acrescentada a de origem geográfica. Sua desconfiança em relação ao Estado-Maior e ao conjunto de generais crescia sempre a despeito das vitórias obtidas no correr dos primeiros anos da guerra. Viu mesmo nestas vitórias a confirmação da idéia de que todos os sucessos alemães desde 1936 eram sua obra pessoal, realizada contra a oposição dos generalíssimos e do Estado-Maior.
Raramente a natureza reuniu em um só homem tão grandes contrastes como em Hitler. É pois extremamente difícil traçar dele um retrato realmente coerente. Seguindo o fim que queria atingir, era uma ou outra de suas qualidades que passava ao primeiro plano: a dureza ou a suavidade, a tenacidade ou a prudência, a obstinação ou a docilidade. Era impossível prever suas reações e em seguida, compreendê-las.
Possuía uma inteligência viva e muito penetrante, uma capacidade de assimilação rápida, fortes disposições para a matemática, uma memória como poucas e a faculdade de discernir claramente o essencial. A isto acrescente-se um talento oratório incontestável. Tal conjunto assegurava-lhe uma superioridade nas discussões que, mesmo os generais que tinham a palavra fácil tais como Bock e Von Manstein, não lhe faziam frente. Era capaz de justificar o seu modo de ver de uma maneira tão lógica, tão demonstrativa e tão indiscutível que obrigava o adversário a dar-se por vencido.
HITLER QUERIA CONVENCER
Quando todos os meios de persuasão tinham sido usados, Hitler, na sua qualidade de chefe de Estado e do Exército, recorria ao meio supremo: a ordem. Mas acho que ficava então insatisfeito. Não se podia adivinhar o que pensava. Era por vezes afável e delicado, mas geralmente duro até a brutalidade e tenaz até a obstinação. Era essencialmente uma natureza de artista que se tinha recoberto progressivamente com uma couraça de inflexibilidade. Não podíamos nunca prever se uma conferência seria levada com calma ou se provocaria um daqueles excessos coléricos tão famosos. Às jogava brutalmente sobre a mesa o lápis que tinha na mão e corria de um lado para outro como um louco.
Várias vezes fui testemunha de cenas deste gênero: quando recebeu o relatório do Coronel-General Hoeppner, sobre o revés diante de Moscou, em fins de 1941; quando da volta do Cáucaso do Coronel-General Jodl, em agosto de 1943; pouco antes do Coronel-General Halder ser reformado: quando dos danos sofridos pelas forças blindadas do General Heim, em novembro de 1942, quando pela luta sustentada oelo Coronel-General Zeitzler, por ter abandonado Stalingrado, etc...Estas cenas se agravaram pela freqüência, em diferentes ocasiões principalmente quando falavam do estado de Branschitsch, de Beck, de Von Bock, de Forster, mais tarde também de Manstein. Os espectadores só podiam esperar em silêncio que Hitler se acalmasse senão haveria pior.
O cumulo é que em alguns casos, Hitler podia ser acessível aos conselhos e mesmo acolher com alegria e reconhecimento as propostas que lhe eram feitas. A única coisa que um interlocutor nunca podia falar, era contradizê-lo em público. Neste caso, estava perdido.
Sua tenacidade, ligada à sua força de vontade, fizeram-no passar de domínio da dura realidade para o reino das quimeras. Depois de 1942 principalmente, tanto nas pequenas coisas como nas grandes, deixou de ver a situação como era para vê-la como queria que fosse. È assim que, em 1943-1944, acreditou que os russos estavam esgotados e abandonou sistematicamente os cálculos do estado-maior que diziam o contrário. Assim acreditou na possibilidade de se manter diante de Stalingrado; na bacia do Donetz; na Criméia; nos países Bálticos; manter uma cabeça de ponte em Salerno; em Budapeste, etc....
Assim acreditou até o último dia na derrota dos seus inimigos.
É A HISTÓRIA QUE TINHA ENSINADO A GUERRA A HITLER
Continua......
domingo, 15 de junho de 2008
A Arte e Isadora Duncan

Em São Francisco, em 1878, Isadora O’Gorman Duncan, senhora muito ativa e que tocava piano com muito gosto, resolveu divorciar-se do marido, o distinto senhor Duncan, cuja conduta foi, ao que parece, muito pouco delicada. A questão afetou-lhe tanto os nervos, que disse aos filhos que o estômago não suportava senão um pouco de champanha e ostras. E no meio do ressentimento, das acusações e dos desgostos domésticos – num mundo de pensões iluminadas e gás e mantidas por belezas meridionais arruinadas, magnatas ferroviários e porta giratórias, de bebedores de uísque que mascavam cravo para que lhes notassem o mau hálito e escarradeiras de lata, carros de quatro rodas e cinturas justas, de desocupados e vestidos compridos, de muitos babados e cauda (num mundo no qual salas de conferências e de concertos davam direito a chamar-se senhoras cultas e constituíam o centro da vida daquele que tivesse aspirações) – teve uma filha a que deu o próprio nome:Isadora.O rompimento com o senhor Duncan e a descoberta de sua duplicidade, converteram a senhora Duncan em feminista fanática, em atéia e apaixonada entusiasta das conferências e artigos de Bob Ingersoll. Onde estava escrito Deus, lia Natureza; onde estava escrito Dever, beleza; e somente o homem é vil.A Senhora Duncan lutou muito para criar seus filhos no amor à beleza e no ódio aos coletes, às convenções e às leis ditadas pelos homens. Deu lições de piano, fez bordados e teceu chalés e luvas. Os Duncans estavam sempre cheios de dívidas. Deviam sempre o aluguel da casa.As primeiras lembranças de Isadora eram as de adulações aos vendeiros, açougueiros e proprietários de casas e a venda de gulodices que sua mãe fazia, de porta em porta, e ajudando a tirar as maletaas por uma porta dos fundos, quando tinham de passar calote nas pensões, uma atrás das outras, todas pobres e com muitas pretensões.Os pequenos Duncans e a mãe formavam um clã: os Duncans contra o mundo grosserio e sórdido. Não eram católicos nem prostestantes, nem quakers, nem batistas; eram artistas.Ainda pequenos, os meninos chamavam a atenção da vizinhança, dando representações teatrais num celeiro.
Elizabeth, a mais velha, dava lições de danças de salão. Como eram do Oeste, o mundo lhes parecia uma quimera. Não se envergonhavam de mostrar-se em público. Isadora tinha olhos verdes, cabelos avermelhados e um pescoço e uns braços magníficos. Como não podia pagar as lições de dança, inventou sua própria dança.Mudaram-se para Chicago. Isadora dançou na festa organizada pelo Washington Post, no jardim do templo maçônico e conseguiu um emprego de cincoenta dólares por semana. Dançava nos clubes. Foi ver Augustin Daly e disse-lhe que havia descoberto a Dança. Em Nova Iorque, fez o papel de fada, numa representação de Sonho de uma Noite de Verão, com Ada Rehan.Os Duncans seguiram para Nova Iorque. Alugaram uma grande sala em Carnegie Hall, puseram colchões nos cantos, penduraram cortinas nas paredes e fundaram o primeiro estúdio de Greenwich Village. Estavam sempre com medo de que a policia os apanhassem. Passavam a vida bajulando os comerciantes que lhes apresentavam as contas, fazendo a dona esperar pelo aluguel e arrancando dinheiro dos ricos. Isadora organizou recitais em Ethelbert Nevin. Interpretava, dançando, os poemas de Omã Khayyam, para as senhoras da sociedade de Newport.
Quando o Hotel Windsor se incendiou, perderam todas as cousas, inclusive as contas que deviam, e embarcaram para Londres num navio de transporte de gado, fugindo do materialismo da América.No Museu Britânico, descobriram os gregos. A Dança era grega.Sob as fumarentas chaminés de Londres, nas praças cobertas de fuligem, dançaram com túnicas de musseline, copiaram atitudes das ânforas gregas, percorreram galerias de arte, assistiram a conferências, concertos e representações, encheram-se, num inverno, de cincoenta anos de cultura vitoriana.Sempre que eram postos para fora, por não pagar aluguel, Isadora, os levava para os melhores hotéis, alugava uma série de salas e ordenava aos criados que se apressassem em servir lagosta, champanha e frutas que não fossem da estação. Nada era bom demais para os artistas, os Duncans, os gregos. E a frescura de Isadora encantava à Londres do século dezenove. Dançavam em festas de aristocráticas mansões de Kesington e Mayfair. Os ingleses, do Príncipe Eduardo para baixo, sentiam-se escravos de sua beleza pré-rafaelita, de sua inocência cheia de vida, de seu sotaque californiano.
Depois de Londres foi Paris da Exposição Universal de 1900. Isadora dançou com Louie Fuller. Era ainda uma virgem muito tímida, para compreender as insinuações de um Rodin, o grande mestre, que então se achava inteiramente desconcertado com as extravagâncias do bando de moças aloucadas e homossexuais de Louie Fuller. Os Duncans eram vegetarianos, desconfiavam da vulgaridade, dos homens e do materialismo. Raymond fez sandálias para todos. Isadora, sua mãe e seu irmão Raymond, correram a Europa em sandálias, com véus à cabeça e vivendo a vida grega da natureza numa sinfonia de contas a pagar.O primeiro recital de Isadora teve lugar num teatro de Budapeste. Depois disto, tornou-se a diva e teve uma aventura com um ator. Em Munique, os estudantes desatrelaram os cavalos do seu carro. Tudo eram flores, aplausos e champanha. Fez furor em Berlim. Com o dinheiro que ganhou na excursão artística pela Alemanha, levou todos os Duncans à Grécia.Chegaram num bote de pesca a Itaca.
No Partenon, posaram para os fotógrafos. Dançaram no Teatro de Dionisios. Ensinaram um bando de meninos esfarrapados a cantar o antigo coro das Suplicantes. Construíram um templo para morar, numa colina que dominava as ruínas da velha Atenas. Mas na colina não havia água e antes que o templo estivesse concluído o dinheiro acabou.Tiveram que hospedar-se no Hotel d’Angleterre, onde chegaram a dever uma boa soma. Quando o crédito acabou, levaram o coro para Berlim e representaram os Suplicantes em grego antigo. Ao ver Isadora envolta em seu peplo, caminhando pelo Tiergarten à frente dos meninos todos vestindo túnicas gregas, o cavalo da imperatriz assustou-se e atirou Sua Majestade ao chão.Isadora ficou na moda. Chegou a São Petesburgo a tempo de ver o funeral noturno dos revolucionários mortos a tiro em frente ao Palácio de Inverno, em 1905. Teve muita pena.
Ela era norte-americana como Walt Whitman. Os governos que cometem assassinatos não eram de sua classe. Sua gente eram os manifestantes. Os artistas nunca estavam do lado das metralhadoras. Era uma norte-americana de túnica grega estava com o povo.Em São Petersburgo, que ainda estava enfeitada pelo balé século dezoito da corte do Rei Sol, suas danas foram consideradas perigosas pelas autoridades.Na Alemanha, fundou uma escola com auxilio de sua irmã Elizabeth, que teve a seu cargo toda a organização; e deu à luz uma filho de Gordon Craig.Fez na América a entrada triunfal que sempre havia planejado e deixou os filisteus consternados com uma excursão artística. Seus companheiros eram detidos pela policia, por vestirem túnicas gregas. Na democrática América não havia liberdade para a Arte.O regresso a Paris foi uma apoteose: Arte significava Isadora. No funeral do Príncipe de Polignac conheceu o milionário (rei da máquina de costura) que seria o futuro provedor e financiador da sua escola. Foi com ele no seu iate (tudo o que Isadora fazia era Arte) dançar no Templo de Paeston, só para ele. Mas chovia e os músicos ficaram molhados até os ossos e todos preferiram embebedar-se.A vida do milionário era Arte. Arte era tudo o que Isadora fazia.
De volta, pela segunda vez, ao seu país, escandalizou, com sua dança, as velhas senhoras dos clubes e as solteironas aficionadas das artes. Também já mostrava no ventre o filho do milionário. E deu para beber e avançar até o palco, discutindo com os artistas.Isadora estava no auge da glória e do escândalo, do poder e da riqueza. A escola progredia, o milionário ia construir um teatro em Paris, os Duncans eram sacerdotes de um culto (Arte era o que Isadora fazia).O automovel que, em Paris, levava seus filhos, parou numa das pontes do Sena. Esquecendo-se de que o carro estava com o cambio ligado, o chofer deu a partida. O motor arrancou e o automóvel caiu no rio.Os meninos e a ama afogaram-se.O resto da vida, Isadora viveu num desespero, entre alvoroços de escândalos, caras irônicas de jornalistas, ameaças de procuradores, demandas de gerentes de hotéis que apresentavam contas atrasadas.
Isadora bebia demais, não podia deixar os jovens tranqüilos, usava o cabelo com vários tons de vermelho, nunca se preocupava em pintar-se como devia. Descuidava dos vestidos e jamais soube em que gastava dinheiro. Mas a impressão de saúde enchia a sala, quando a figura de braços maravilhosos avançava, lentamente, do fundo do cenário. Não sabia o que era medo; era uma grande bailarina.Em São Francisco, sua cidade natal, os políticos não permitiram que ela dançasse no Teatro Grego, que haviam construído por sua influência. Onde ia, ofendia aos filisteus. Quando a guerra estalou, dançou a Marselhesa. Isso, no entanto, pareceu irreverente e sentiram-se ofendidos por não haver renegado a Wagner, nem ter mostrado respeitáveis instintos de matança.Em sua excursão pela América do Sul, ligou-se com homens, em todas as partes: um pintor espanhol, alguns lutadores de boxe, um foguista de navio, um poeta brasileiro - deve ser João do Rio (Paulo Barreto), ao menos pelo que se pode deduzir das refrencias que ele faz a Isadora, em sua autobiografia. Procovou escândalos nos salões de tango. Chamou os argentinos de negros do palco. Embebedou-se de triunfo, em Montevidéu e no Brasil. Mas, enquanto tinha dinheiro, não podia evitar e gastava a rodo com dançarinos de tango, donativos, ceias depois do espetáculo e toda uma seqüência de loucuras. Tudo por sua conta. Os empresários aborreciam-na. Não sabia o que era, não se envergonhava com as murmurações, nem com as manchetes dos vespertinos.
Quando outubro levantou o pano do Velho Mundo, lembrou-se de São Petersburgo, dos esquifes deslisando pelas ruas silenciosas, dos rostos pálidos e dos punhos cerrados daquela noite e dançou a Marcha Eslava, pondo um lenço vermelho diante do nariz das velhas senhores de Boston, no Symphony Hall.Mas quando foi à Rússia, com a esperança de encontrar uma nova escola de trabalho, uma vida livre – viu que tudo ali era grande demais, difícil demais.Quando já lhe era impossível obter mais dinheiro para a Arte, para as pessoas que comiam e bebiam nos seus aposentos de hotéis, para alugar Rolls-Royces e para a manutenção de seus discípulos e alunos – Isadora foi para a Riviera escrever suas memórias, afim de arrancar um pouco de dinheiro do publico norte-americano que, depois da guerra, havia despertado para os gregos, o escândalo e a Arte, e ainda tinha dólares para gastar.
Alugou um estúdio em Nice, mas nunca pode pagar o aluguel. Tinha brigado com o milionário. Suas jóias, sua famosa esmeralda, seu manto de arminho, seus objetos de arte, foram parar em casas de penhor ou em mãos de usurários. Tudo o que lhe restava eram os velhos cenários azuis que tinham visto seus grandes triunfos, uma carteira de couro vermelho e um velho abrigo de pele, descosturado nas costas. Não podia deixar de beber ou de lançar-se nos braços do primeiro que lhe aparecesse. Quando dispunha de dinheiro, organizava uma festa. Tentou afogar-se e um oficial da marinha inglesa tirou-a do mediterrâneo batido de luar.Um dia, encontrou num pequeno restaurante de golfe, Juan, um jovem italiano, que tinha uma garagem e dirigia uma pequena Bugatti de corrida. Disendo-lhe que talvez se decidisse a comprar o automóvel, pediu-lhe que fosse a seu estúdio, para que a levasse a dar um passeio. Seus amigos não queriam que fosse, diziam que o italiano era um simples mecânico, mas Isadora insistiu. Tinha bebido uns copos (no mundo só lhe interessavam a bebida e os jovens simpáticos...), ligou-se ao italiano, lançou para trás a echarpe de longas franjas para envolver o pescoço, com seu largo gesto habitual, virou a acabeça e disse com o sotaque californiano que jamais pode esquecer:“Adieu, mês amis, je vais à la glorie «O mecânico deu a partida e o carro arrancou. A pesada echarpe, que pendia para fora do carro, enroscou-se numa roda, puxou violentamente a cabeça de Isadora para o lado..O automóvel deteve-se instantaneamente. Tinha o nariz arrebentado, o pescoço pendendo...Estava morta.
(Extraído de "Dinheiro Graúdo" – John dos Passos – edição 1938)
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